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Discurso de posse – 02 de abril de 2007.
Dirijo-me aos dignos Procuradores do Estado
de Mato Grosso. Quero falar do quanto me sinto honrada com
a missão que me confiaram. Ao caminhar pelos corredores da
PGE/MT encontro diariamente profissionais aos quais
admiro. Doutores em Direto internacionalmente respeitados.
Mestres das mais diversas áreas que emprestam seu
brilhantismo às causas do Estado. Enquanto cursava a
faculdade, na UFMT, e ao fazer outros cursos de
aperfeiçoamento, tive o privilégio de ser aluna de muitos
dos Senhores e Senhoras Procuradores. Bater à porta de um
colega de trabalho na PGE/MT é deparar-se com um ou vários
especialistas em Direito Público, Tributaristas,
Constitucionalistas, Administrativistas de escol, todos
incansavelmente dedicados à defesa dos interesses
públicos, à proteção do patrimônio do Estado.
Patrimônio que é de toda a sociedade.
Encontra-se, na PGE/MT, dedicação e por
vezes sobrecarga, mas sempre uma reconhecida Excelência,
no exercício da função de garantir que a Administração
Pública permaneça fiel aos princípios de legalidade,
moralidade, publicidade, impessoalidade e eficiência.
Deste modo, senhores, profundamente
consciente de quanto conhecimento meus pares possuem e do
quanto esta carreira é estratégica para os interesses do
Estado, é que me dirijo aos colegas para agradecer-lhes a
subida honra de ser considerada por Vossas Excelências,
digna do cargo de Presidente de nossa Associação, digna da
defesa das prerrogativas dessa categoria, da representação
dos anseios de seus membros, digna de seu voto. Confesso
que não imaginava, ao iniciar-me no Direito, que poderia
um dia ter tal alegria. Alegria que se transmuda em
felicidade verdadeira ao saber que posso dividir com vocês
a mesma casa e chama-los de amigos.
Amigos! Da Procuradoria-Geral do Estado e
os que hoje nos prestigiam. Quisera eu poder encerrar esta
fala neste momento, e dizer que essa missão honrosa é
desprovida de espinhos. Que podemos, cada um em sua mesa,
seguir com o trabalho de defender o interesse público
processo a processo, e reservar para a Associação, apenas
os momentos de lazer e entretenimento.
Mas não é a hora. Desafios surgem no
horizonte de nossa carreira, bem como no horizonte do
próprio Estado de Mato Grosso, e o desafio deve ser
enfrentado no momento em que aparece.
A Associação de Procuradores do Estado de
Mato Grosso intransigentemente e diante de quem quer que
seja, lutará em defesa das nossas prerrogativas.
Sabemos que combatemos o bom combate.
Sabemos que o Constituinte de 1988 ao
grafar no texto da Carta Magna a definição das atribuições
da carreira de Procurador do Estado quis acabar com a
promíscua relação entre a defesa do Estado e os chamados
“amigos do rei”, advogados que exerciam a defesa dos
Estados da federação por nomeação do Governador eleito.
Essa liberdade, com contornos de ‘libertinagem”, na
escolha dos advogados do Estado, propiciava que a cada
quatro anos, a cada troca de poder, a defesa do patrimônio
público igualmente sofresse alteração, de acordo com o que
a conveniência de alguns grupos ditava. Quando trata da
carreira de Procurador do Estado, a Constituição da
República quis assinalar expressamente a necessidade de
continuidade e estabilidade da defesa judicial e a
garantia da prestação da consultoria jurídica sintonizada
com o princípio da legalidade.
Para fazer valer em nosso Estado a vontade
constitucional nos utilizaremos de todos os instrumentos
postos à nossa disposição pelo ordenamento jurídico
brasileiro, combatendo o desrespeito na esfera
administrativa e judicial.
Além disso, a APROMAT também cuidará de
fazer com que a sociedade matogrossensse conheça as
conquistas que a categoria consegue trazer para o Estado e
conheça também aqueles que atuam como defensores do
interesse público.
Sabemos que a luta pelo fortalecimento da
Procuradoria do Estado é a mesma luta daqueles que querem
fortalecer o controle prévio dos atos administrativos, o
controle interno. é a luta por licitações previamente
analisadas, evitando-se a assinatura de contratos
prejudiciais. É a luta para que o patrimônio público só
seja alienado quando o interesse público assim o exigir,
para que o Estado não negue direitos a quem os tem –
negando com este ato, sua própria razão de existir - e
para que os recursos públicos sejam aplicados de acordo
com a finalidade legal.
Mas, além da luta para assegurar o
exercício das funções para as quais a carreira foi criada
APROMAT defenderá, juntamente com a Associação Nacional de
procuradores do Estado a aprovação da autonomia
orçamentária das Procuradorias dos Estados.
Neste sentido cito as palavras do Senador
Bernardo Cabral, que no final do ano 2000, já assim se
manifestava: “A autonomia financeira é a alforria das
Procuradorias, que poderão dedicar-se à defesa
administrativa e judicial da coisa púbica, desvinculadas
das vontades e imposições do eventual detentor da Chefia
do Executivo, zelando pela respeito à Constituição e às
leis, e não viabilizando, com verniz jurídico, as
determinações do detentor do mandato popular. é sempre bom
lembrar que o bem público é indisponível, e assim também o
é a sua defesa.”
É bom não confundir a autonomia
orçamentária defendida para as PGE’s com a independência,
característica da atuação do Ministério Público. Somos
advogados do Estado, e como tal, exerceremos nossas
funções, em harmonia com o representante legal da pessoa
jurídica eleito pelo povo. O que queremos é autonomia de
gestão orçamentária, evitando pressões e barganhas e
finalmente, tendo liberdade, ou nos dizeres do Senador
Bernardo Cabral, alforria para bem desempenhar a função.
O mais interessante, senhoras e
senhores...é que eu tenho uma aposta pessoal: quem mais
seria beneficiado com a autonomia das Procuradorias dos
Estados seriam os ocupantes do cargo de Governador, que
teriam a seu lado um órgão fortalecido tecnicamente. Um
braço cada vez mais forte.
Não é demais repetir que o Administrador
Público cumpridor da lei tem na Procuradoria, com
autonomia ou sem autonomia, um porto seguro. E que aquele
que não respeita os ditames legais, com autonomia ou sem
autonomia, sempre verá a PGE como uma pedra no sapato.
É também importante, ressaltar, por uma
questão de clareza que quando este tema foi a debate no
Congresso Nacional o Governador licenciado do Estado de
Mato Grosso, Blairo Maggi, foi um dos poucos a apoiar
publicamente a autonomia das Procuradorias do Estado.
Apoio com o qual esperamos contar neste ano, em que a
matéria deve seguir novamente para a votação.
A Associação dos Procuradores do Estado, por meio de sua
gestão do biênio 2007/2009, insistirá no cumprimento do
texto constitucional que determina que as carreiras de
Estado, essenciais à Justiça (Magistratura, Ministério
Público, Defensoria e Procuradoria) deverão ter tratamento
isonômico. Artigo da constituição da República, que,
evidentemente não se refere aos pronomes de tratamento que
devem ser utilizados nos ofícios que se dirigem aos
membros dessa carreira e sim, e é lógico, se inicia com o
tratamento isonômico no que se refere à remuneração.
Esperamos contar com os membros do Poder Legislativo e com
o Chefe do Poder Executivo para que a Constituição deixe
de ser, quase vinte anos depois, letra morta em nosso
Estado.
A APROMAT defende, também como forma de
garantir o exercício da função em sua plenitude, o melhor
aparelhamento da Procuradoria-Geral do Estado, com
instalações dignas e suficientes, para que um advogado
desempenhe suas funções. Espaço físico, equipamentos de
trabalho, assessoria, uma política constante de promoções
e, novos concursos públicos, elementos mínimos que
garantam – não a cada Procurador, pessoalmente – mas ao
Estado de Mato Grosso, que seu interesse não perecerá por
falta de investir os recursos que são seus, no órgão que o
defende.
É inevitável falar, nesta noite, da
Resolução n.º 33 do Senado e do combate que a APROMAT e a
ANAPE empreendem contra essa norma. O Senado, uma das
casas do Congresso Nacional, representante dos Estados,
tem por um de seus deveres zelar pelas finanças públicas,
devendo limitar a voracidade com de certos governantes,
que, no afã de aportar recursos aos cofres públicos
durante seu período de Governo, endividam gerações de
cidadãos (contribuintes) que ficamos com as contas de
Antecipações de Receitas e empréstimos milionários para
pagar. Pois tristemente o Senado em 2006 edita a Resolução
33, extrapolando de seus poderes – que deveriam servir aos
objetivos de responsabilidade fiscal. faz publicar essa
norma, que fere os princípios básicos de direito
financeiro e tributário e pode precipitar Estados e
Municípios em um abismo de endividamento.
Resolução n.º 33 do Senado: que uma campanha nacional é
objetiva em definir: norma ilegal, inconstitucional e
Fonte de Corrupção.
Resolução n.º 33 do Senado, que autoriza os
Estados e Municípios a realizarem a cessão de seus
créditos tributários para instituições financeiras –
créditos chamados de dívida ativa após sua inscrição. Tal
operação pode ser uma Antecipação de Receita Orçamentária
disfarçada, como teme o Ministério Público Federal, em sua
manifestação em Adi proposta em face da norma, perante do
Supremo Tribunal Federal. Que pode importar em renúncia de
receita em desobediência ao artigo 14 da Lei de
Responsabilidade Fiscal, e que poderia redundar na
assunção por parte de instituições financeiras, da
cobrança da dívida dos Estados, e ferir as prerrogativas
dos Procuradores do Estado. Ao que nos opomos
frontalmente.
Por fim, é necessário reafirmar nossa
memória. Ao dar início a este discurso falei da satisfação
que tenho de integrar essa instituição. É por isso que não
podemos jamais esquecer, e ao continuarmos a publicar o
jornal da APROMAT, manteremos uma sessão dedicada, aos
Procuradores aposentados cujas histórias e memórias são
aquelas da construção do Estado de Mato Grosso. Das brigas
por território até o exercício das funções da Defensores
Públicos, antes mesmo da criação daquela Instituição pela
Constituição de 1988. Procuradores aposentados que, por
vezes armados de uma única máquina de escrever Hemington e
vários papéis carbonos, nos porões dos prédios públicos,
trabalhavam incansavelmente em sacrifício de sua própria
saúde enfrentando a incompreensão e a perseguição daqueles
que, muito antes da invenção do computador, não entendiam
o porquê de cumprir a lei.
Em resumo, estas serão as nossas lutas, e
convido a todos para estarem a nosso lado. Nossa luta é e
será sempre em Defesa do Estado de Mato Grosso.
Citarei São Francisco de Assis:
“Comece fazendo o necessário, passe a fazer o possível e
sem perceber, logo estará fazendo o impossível.”
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Glaucia
Anne Kelly Rodrigues do Amaral
Presidente da APROMAT
Cuiabá – MT,
02 de Abril de 2007
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